Last Updated onMarço 25th, 2026 06:47 pm
Tempestade
Portugal anda a viver numa espécie de reality show meteorológico: “Tempestades – A Revanche”.
Mal uma acaba, já a próxima está a aquecer no banco de suplentes, com nome próprio, vontade de protagonismo e zero respeito pelos estendais.
Nos últimos tempos, o país aprendeu coisas importantes, como: que o guarda-chuva serve sobretudo para virar do avesso, que o cabelo só fica bem antes de sair de casa, e que a frase “é só uma chuvinha” é um convite directo ao dilúvio.
O vento entrou em modo influencer: derruba árvores, arrasta caixotes do lixo e ainda tenta levar chapéus, telhas e a dignidade de quem caminha contra ele. Há pessoas que já não andam, navegam. Outras aprenderam a técnica avançada de caminhar em diagonal para chegar a direito.
A chuva, essa, não cai, atira-se. De lado. De baixo para cima. À traição.
Os sapatos deixam de ser sapatos e passam a ser aquários pessoais, enquanto as calças ganham aquele tom indefinido entre “molhado” e “arrependimento”.
E depois há o momento mais português de todos.
— “Está um temporal desgraçado!”
— “Pois está… mas fazia falta.”
Porque isto não são tempestades.
São testes de carácter meteorológicos.
E nós? Nós passamos todos… encharcados.
No fundo, entre alertas amarelos, laranjas e vermelhos, Portugal segue firme, a reclamar do tempo, a comentar o tempo, a sobreviver ao tempo, e a garantir que no Verão vai estar calor a mais.